NÃO REMOVA - Os Marcos Antigos
“Não removas os limites antigos que fizeram teus pais.”
Provérbios 22:28
Pastor Alexandre Ruben Milito Gueiros
com a colaboração dos pastores Adaíso Fernandes e Fábio Lúcio Soares Gomes
Introdução
“Não removas os limites antigos que fizeram teus pais.” Provérbios 22:28.
Temos notado que muitas REVELAÇÕES e ENSINOS recebidos que foram marcos básicos para o estabelecimento da Obra são ignoradas ou são tratadas como se fossem simplesmente orientações transitórias, ou apenas sugestões. Por isso, muitas vezes, passam a ser desconsiderados.
Os marcos antigos representam limites espirituais, fundamentos revelados por Deus e estabelecidos ao longo da caminhada do Seu povo. Eles não são tradições humanas, nem costumes culturais, mas direções do Espírito Santo que garantem identidade, proteção, ordem e continuidade da obra do Senhor.
No livro de Êxodo, lemos que Moisés examinou toda a obra do Tabernáculo e verificou que tudo havia sido feito exatamente como o Senhor havia ordenado.
“Conforme tudo o que o Senhor ordenara a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel toda a obra. Viu, pois, Moisés toda a obra, e eis que a tinham feito; como o Senhor ordenara, assim a fizeram; então, Moisés os abençoou.”
Êxodo 39:42-43.
Somente após essa conferência rigorosa, o povo foi abençoado. Isso revela um princípio eterno:
“A bênção está vinculada à fidelidade às revelações do Senhor.”
Conselho da Igreja Cristã Maranata.
Da mesma forma, a Obra do Senhor entre nós foi edificada sobre revelações específicas, dadas pelo Espírito Santo e orientações recebidas do Presbitério, que se tornaram marcos espirituais. Esses marcos não foram estabelecidos para um tempo passageiro, mas para garantir que Cristo continue reinando como Cabeça da Igreja, dirigindo-a plenamente pelo Seu Espírito.
Quando esses marcos são ignorados, relativizados ou tratados como simples sugestões, a Obra começa a perder sua forma espiritual, sua identidade e sua sensibilidade à direção do Espírito Santo. Por isso, cabe aos que têm responsabilidade na Igreja zelar, ensinar, lembrar e praticar fielmente esses marcos.
O objetivo deste Estudo é recordar, reafirmar e evidenciar que as orientações recebidas não são opcionais, mas marcos espirituais, expressão direta da direção do Espírito Santo para o caminhar da Igreja.
Os Marcos Espirituais Revelados pelo Senhor
Quanto ao Culto
O culto é conduzido segundo uma ordem espiritual revelada, que não pode ser alterada sem prejuízo à comunhão da Igreja.
- Inicialmente, por alguns segundos, cada um clama por si mesmo (confissão). Depois, há o clamor coletivo.
- A orientação é que devemos dizer, logo no início da oração: “Clamamos pelo sangue de Jesus...” ou “clamamos pela aspersão do sangue de Jesus…”.
- Não se deve iniciar a oração com expressões incorretas como: “No sangue de Jesus” ou nem terminar a oração dizendo: “Pelo sangue” ou “pelo sangue e em nome de Jesus”.
- As orações são encerradas “em nome de Jesus”, conforme orientado por Ele:
“E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.”
João 14:13.
- Durante o clamor, não há glorificação.
- O período de clamor é tempo de arrependimento, purificação, libertação e comunhão.
- A Igreja apenas confirma a oração do dirigente, por exemplo, com “Amém! Sim, Senhor!”
- Convém dizer ao Senhor a razão do nosso clamor, evitando transformá-lo em fórmula vazia, dita friamente: “Clamo pelo sangue de Jesus” e ponto.
- Em vez disso, devemos dizer, por exemplo: “Clamamos pelo sangue pedindo o perdão dos nossos pecados e comunhão contigo”. “Clamamos pelo sangue, Senhor, para alcançarmos comunhão contigo e assim o Teu Espírito possa ter plena liberdade de operar em nosso meio”.
- Ao dizermos a razão de nosso clamor, indiretamente, ajudamos a despertar a igreja para a necessidade de perdão e comunhão e ensinamos aos visitantes a razão do nosso clamor, ou seja, pelo que clamamos.
- Após o clamor inicial e após o hino de clamor, faz-se uma oração agradecendo pela libertação e pela comunhão alcançadas e louvando porque o Espírito Santo já nos faz sentir sua presença e nos está movendo à adoração. Nesta oração já não se clama mais.
- Como já tivemos os pecados perdoados, já fomos purificados, já entramos no santo dos santos, já estamos em comunhão com o Senhor, não faz sentido clamar novamente.
- Basta clamar no período do clamor. Finalizado o período de clamor, não se clama mais durante o culto.
- Se por algum motivo perder a comunhão durante o culto (o que não é comum), então clame em silêncio por si próprio apenas.
- Após o período de clamor, segue-se o período de glorificação, quando hinos são cantados e orações são feitas pelos adultos.
- Continua a haver o período de louvor e orações por crianças (uma de cada classe).
- Lembramos que, nos cultos, o Espírito Santo opera através da Palavra, dos louvores e das ORAÇÕES de adultos também.
- No culto o Senhor quer receber a adoração da Igreja como Corpo, todos juntos sem nenhum destaque pessoal.
- Toda a atenção deve ser dada ao Senhor Jesus, à Sua Palavra e à operação de Seu Espírito.
- Não há brados, gritos ou manifestações que chamem atenção para si.
As CIAs e as Professoras e Grupo de Louvor no Culto
- Nos cultos, as crianças cantam um hino e há uma oração por uma criança de cada classe. Esta é uma orientação nova para evitar excesso de orações de crianças.
- Na EBD as professoras ensinam as crianças a orar; a professora não pode soprar oração para a criança repetir. Isso seria um engano; a oração deve provir do coração.
- Em cada banco de crianças há somente UMA professora sentada no CENTRO do banco. Nenhuma professora se assenta nas pontas dos bancos.
- Nem professoras, nem mães, nem avós podem se assentar com seus filhos entre as crianças.
- Professoras não devem aconchegar as crianças, estimulando-as assim a dormirem durante o culto.
- Nem crianças nem adolescentes podem ser usados em instrumentos nem em projeções, nem em controle de som regularmente na igreja.
- O prejuízo espiritual para eles é grande, pois se concentram na atividade, deixando de louvar o Senhor e atentar para o culto.
- Mas podem ser usados nos instrumentos no período em que as crianças cantam o seu hino.
- Os pastores devem estar atentos à totalidade do processamento do culto, inclusive orientando as PROFESSORAS, no sentido de estarem atentas à participação das crianças, evitando que brinquem, durmam ou conversem.
- Controlar o baterista e o contrabaixista. Não permitir que o som da bateria e do contrabaixo esteja alto, abafando os demais instrumentos, impedindo que se ouçam os demais instrumentos.
- A melodia é mais importante do que o ritmo.
- O Grupo de Louvor e os Instrumentistas não devem cantar ou tocar em nível tão alto que abafem o cântico da congregação.
- Também deve-se levar em conta a sensibilidade de pessoas mais idosas e de crianças pequenas ao som muito forte.
- Convém que o som da igreja não deve ultrapassar o limite de 90 decibéis, recomendada para uma exposição segura em um período de 30 minutos.
A Mensagem em Cultos Regulares
- Em cultos regulares, a duração da mensagem recomendada na obra é de 15 a 20 minutos.
- Não se deve repetir a mensagem, mesmo que seja uma síntese após ter sido entregue e um hino ser cantado.
- Confiemos em que o Espírito operou durante a mensagem.
Forma de se trajar não deve ser objeto de mensagens. Pode haver uma breve menção à necessidade de os servos/servas se trajarem de forma decente, com modéstia, na forma de trajar, evitando excessos ou exposições, pois isso está claramente recomendado na Palavra de Deus. O servo de Deus não deve tomar a forma deste mundo.
“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Romanos 12:2.
- Nas mensagens não deve haver repreensões à igreja nem a membros em particular.
- Não pode haver acusações e críticas ao comportamento da igreja, por exemplo, sobre a desobediência, a falta de santificação, a ausência nos cultos.
- Esse tipo de crítica entristece a igreja e assusta os visitantes.
- Não deve haver cobranças sobre formas de se trajar, mesmo em reuniões para membros da Igreja.
- O pastor sábio (todos devem ser sábios) simplesmente evita precipitar-se na consulta (sempre no Grupo de Intercessão) de servos/servas para funções na igreja sem antes verificar que há um bom testemunho nessa área.
A Assistência Após o Culto
- Terminado o culto, a congregação fica em silêncio, sentada, enquanto os obreiros dão assistência. Quem precisar conversar deve sair do templo.
- Nesse período de assistência, o Grupo de Louvor entoa um hino suavemente, baixinho, para não atrapalhar as conversas entre o assistente e o assistido.
- Isso deve ser observado tanto nas igrejas como nos anfiteatros e nos Maanains.
- Deve-se dar assistência em duplas: dois obreiros ou um obreiro e uma senhora bem usada nos dons.
- Enquanto um fala, o outro clama pela operação do Espírito.
- Quando um recebe uma visão ou revelação, o outro consulta se o dom deve ser entregue; e ajuda no discernimento.
- Os obreiros devem evitar pregar durante a assistência.
- O Espírito tem de ter operado antes e durante o culto.
- Na assistência, cumprimenta-se o visitante/servo, ouve-se o pedido de oração do visitante/servo, ora-se, entrega-se algum dom, discerne-se o dom.
- Que dons devem ser entregues? Somente para edificação, e sempre que o discernimento for fácil.
- Certos dons devem ser entregues posteriormente ao pastor.
Cultos da Semana
- Não se cancelam cultos na igreja local com a justificativa de se realizarem reuniões de igrejas do Polo ou Região.
- As igrejas devem estar abertas de sábado a quinta-feira, diariamente; não se fecham por nenhum motivo.
- Cultos das segundas-feiras foram revelados pelo Senhor para glorificação pelas bênçãos da semana anterior.
- Não deve haver pregação, mas apenas a leitura de um trecho da Palavra com breve explicação.
- Os Cultos no lar às sextas-feiras foram revelação do Senhor para que haja oração pelas necessidades da família.
- Após o clamor, deve haver a leitura de uma passagem bíblica, seguida de glorificação (hinos e orações), seguida da intercessão.
- Duração sugerida: 20 minutos.
- As igrejas NÃO programam nenhuma atividade para sexta-feira à noite, para não interferir com o culto da família.
- Esse culto sempre foi uma bênção para as famílias obedientes a essa orientação.
Consulta de Dons Espirituais e Consulta à Palavra
Quanto à consulta de dons em qualquer reunião, algumas correções precisam ser feitas, conforme orientações transmitidas pelo Presbitério:
- Somente um dom é contado de cada vez. Consulta-se ao Senhor sobre esse dom.
- Não se consulta um dom sem antes ouvir esse dom.
- Isso porque ao se ouvir o dom, pode-se discernir que contraria o ensino da Palavra; neste caso, obviamente, nem se consulta.
- Por outro lado, os versículos lidos em geral ajudam no entendimento da procedência do dom (do Senhor ou da mente do irmão).
- Nas reuniões de qualquer grupo da Igreja, antes de se abrir a Palavra para se consultar um dom, clama-se sempre pelo sangue de Jesus.
- Devem ser lidos apenas três textos.
- Só devem ser lidos quando o servo, ANTES de ler o texto em voz alta, leu o texto para si mesmo e entendeu que O SENHOR ESTÁ FALANDO, seja para confirmar seja para negar o dom.
- Se para ele não foi claro o que o Senhor falou, então ele não deve ler o versículo.
- Antes de se consultarem dons, deve-se instruir os participantes: não se precipite em ler o texto sobre o qual o seu dedo foi colocado.
- Leia primeiro, silenciosamente, e, se entendeu que o Senhor falou e que o versículo contribuirá para o discernimento final.
- Durante a leitura dos textos, o dirigente da reunião deve estar atento ao que foi lido; e os demais irmãos também.
- Se o dirigente perceber que o Senhor falou pelos versículos lidos, perguntará: o dom foi confirmado?
- Se o dirigente entender que os textos lidos não confirmam o dom, então prevalece o entendimento do dirigente.
- Por isso, o dirigente deve ser sempre alguém com discernimento espiritual.
- Havendo dificuldade nessa área no grupo de intercessão, o pastor deve consultar um período de busca ao Senhor (jejum e oração) para que Ele fale claramente nas reuniões por meio da consulta à Palavra.
Reunião Mensal com a Liderança
Recomenda-se que haja uma REUNIÃO MENSAL do Pastor com diáconos, obreiros, senhoras responsáveis e professoras de EBD para recordar essas orientações e outros pontos que devem ser praticados.
Conclusão
Sabemos que esses temas têm sido ensinamentos que todos nós atendemos por serem orientações que o Corpo entendeu serem necessários para que não se impeça uma plena operação do Espírito.
Nesse atendimento, alcançamos a unidade de fé e prática que caracterizam um Corpo bem ajustado.
“Do qual todo o corpo, bem-ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.”
Efésios 4:16.
A Obra do Senhor é uma Obra de detalhes. Assim como no Tabernáculo, onde cada peça foi feita conforme o modelo revelado, a Igreja só permanece debaixo da direção do Espírito Santo quando obedece fielmente às Suas revelações.
Essas orientações não são costumes, nem regras humanas: são MARCOS ESPIRITUAIS, estabelecidos para que Jesus reine como Cabeça da Igreja. Removê-los é perder a direção. Guardá-los é preservar a Obra viva, espiritual e conduzida pelo Espírito Santo.
Nossa resposta às revelações do Senhor para a sua Obra continua a ser a mesma:
“[...] Fala, Senhor, porque o teu servo ouve.”
I Samuel 3:10.
Dessa forma, acontecerá connosco o que Samuel experimentou:
“E crescia Samuel, e o Senhor era com ele; e nenhuma de todas as Suas palavras deixou cair em terra.”
I Samuel 3:19.